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Mai/15

Padre Uilson de Mello: A diferena entre Educar e Formar

Uma reflexo a luz dos escritos de Nietzche

No inverno de 1872, entre os meses de janeiro e março, Friedrich Nietzche é convidado pela Universidade de Berlim, na Alemanha, para falar aos jovens sobre o futuro das instituições educacionais e as grandes empreitadas que a Educação iria enfrentar. Diz ele: A cultura não pode se reproduzir e crescer quando a educação está orientada para uma profissão, uma carreira, uma função, um cargo, quando é movida pelo o espírito utilitário, quando é vivificada quando é verificada através de exames obrigatórios e integradores, quando é extensiva e universalizada; mas esta é, no entanto, a verdadeira face da cultura da modernidade tardia vivida na Alemanha, tal como ele a vivia.

O emblemático problema apresentado por Nietzche na Alemanha é um problema também do Brasil. Diria que no Brasil o problema é mais “monstruoso” por dois motivos: Primeiro porque somos subordinados a uma divida cultural histórica e política, onde o saber é direcionado para o lucro, sendo hoje a educação um produto de mercado.

Em segundo lugar, de modo semelhante ao primeiro, os departamentos educacionais não estão preocupados com um saber capaz de nos fazermos gente, pessoa, ser humano, mas simplesmente profissionalizar. Estudar para ser alguma coisa é a pior ignorância e pobreza que um homem pode viver. Antes, devemos estudar no intuito de conhecer, um conhecimento ao ponto de nos livrarmos da “sombra da caverna” como diz Platão na obra A República.

A profissão é resultado de um longo, apaixonado e duradouro saber. Primeiro nos humanizamos, através do saber, depois nos profissionalizamos. No Brasil só profissionalizamos, ou seja, restringimos a educação a um mero esforço físico ou mental, onde não transforma nada. À luz do pensador Nietzche, temos uma cultura educacional podre, fraca e tímida que não consegue dizer nada a respeito de um campo abrangente e complexo.

Por Padre Uilson Mello
Filósofo Teólogo e Mestrando em Filosofia da Educação pela a UFP.

 

Fonte: Blog do Sigi Vilares/Colunistas
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